Em tempos de folia tudo é válido, aflorar sentimentos e emoções guardadas de um ano, é muito mais do que normal.
Tudo aquilo que possa parecer ridiculo normalmente, nos quatro dias que antecedem a quaresma , torna-se permitido e aceito socialmente.
Imperceptivelmente as manobras politicas e sociais acontecem, camufladas pela alegria fugaz do "tudo pode", as grandes transformações se fazem no cenário colorido do engano. A felicidade no ar, e as imprudências e prepotências rolando a solta; a corrupção é apenas mais um bloco desfilando na avenida "Brasil".
Será realmente temos motivos para comemorar? Ou melhor o que estamos comemorando?
Tantos cidadãos filhos da terra, ainda sofrendo a dor da familia, destruída por um desatre natural; Outros tantos, sem um teto para abrigar, desfilando no bloco do sogrimento, tendo como carro chefe, a dor e a perda.
O egoísmo de estar alegre por quatro dias, cega-nos a condição do outro; as intempéries da vida! Ah, mas alguém poderá dizer, que não se vive de lamentos e tristeza; mas há que se pensar na intensidade de força empregada na construção de carros e fantasias, que perdem todo seu valor na quarta-feira de cinzas; há que se pensar financeiramente quanto recurso esbanjado, na fantasia de uns poucos momentos.
Até quando aceitaremos ordeiramente a inversão de valores primordiais, não reagiremos; como nossos irmãos orientais, que não conformados, com atual situaçã, resolveram resistir a uma ditadura maquievélica, ainda que tenham pago com a própria vida o preço a liberdade.
Vivemos a ditadura do "faz-de- conta", pensamos ser livres, mas somos servos de nossa acomodação e subserviência, que se inicia mais tenra idade, quando por simples descaso abrimos mão de nossos direitos garantidos.
O carnaval passará, porém os conhecidos foliões : da injustiça, da corrupção, do descaso, continuaram desfilando livremente e pior, com nosso consentimento.
Ainda há tempo para reagirmos , temos uma grande arma a nosso favor, que chama-se informação e conhecimento, as quais podem conduzir um povo para o exercício pleno de sua liberdade.